Do acumulado e do abandonado de sonhos imaginados, o que sonhava você quando tinha três, quando tinha dez, quando tinha dezesseis?
Do acontecido e do perdido de encontros que te constituíram, onde estava você quando o dia chegava, o almoço ocorria, a tarde findava?
Dos dias felizes e dos dias tristes que no teu corpo encarnaram, o que ficou do riso e o que ficou da dor?
Sob as memórias que frisam tua pele como o minério na pedra, o que você traz de mais rico e o que é lixo?
Haverá alguém a te conhecer além da casca apresentada na retórica do bom dia, na troca pela ocasião forçada, no esbarrão das falas pela necessidade forjada?
Será que de ti saberei algum dia mais do que o estereótipo pela distância construído, o avatar pela falta de afeto esvaziado, o teu ser inteiro por tanta defesa mumificado?