Sim, ela é grande. Ela tem mais ou menos um metro de altura e olhos de barro, calcário e pedras. Já consegui vê-los exatamente como são: doze camadas de cores diferentes correspondentes a doze eras. Ela é filha da terra tão certamente quanto os de olhos azuis são filhos da água.
Eu? Olha aqui dentro, sou poeira, filha de ventania, não tenho cercas. Segue que, naturalmente, adoro os que firmam os pés e cheiram a trilha. Eles têm essa umidade na respiração, sabe? Uma sensibilidade de lama que ajuda a dar a resposta na hora certa.
Vou te contar uma história, ela é tão intuitivamente plena que até hoje só ameaçou arrancar pedaços de quem teatralizou falsa amorosidade. Dá vontade de rir dos trouxas. Chegaram aqui alegando afinidade, parentesco, amizade, mas quando se tem doze camadas de eras orbitando na percepção das coisas sutis, fica difícil mentir tão forte. Tiveram que correr...
Preciso seguir, o cachorro fugiu e o cachorro metafórico também. Que mistura! Como é que vou pegá-los agora? Valeu a conversa, que bom ter correspondência sensível ao potencial catártico de um cão. Até mais, beijo e uma lambida no nariz.