Oi, cecília
quando vc escrevia, sentia a falta?
nas horas de aflição, tua perna tremia?
no dia de sol teu olho brilhava?
depois de um café, teu corpo se erguia?
o que é isto, cecília
de ser a alma, o corpo;
ser o corpo, o mundo?
ser o mundo tão pequeno que cabe nos meus pés
- a estrela é minha –
ser o mundo tão grande que não cabe em mim,
e minha boca prova
- o gosto infinito das respostas que não se encontram -
foi você, cecília
quem me disse sem querer dizer
dessa dualidade irreconciliável
que habitamos sem saber
o corpo que é casa da alma,
alma que flui no corpo.
e meu corpo, Cecília...
esse deseja o mundo.