É preciso rir das coisas da mente. Talvez a falta desde sempre tenha sido a de levar a
sério demais o fanfarrão que é a mente.
É preciso rir quando você pensa que está no mesmo ponto do
círculo, mas agora possui nova perspectiva, do alto da roda gigante.
É preciso rir do atrapalhado da mente quando nos prega peças. No fundo,
a gente até acha graça, mas quem leva a sério é o medo. O medo não tem
humor.
O medo não tem medida, leva tudo ao pé da letra, leva a sério
qualquer descarga emocional que poderia estar sendo somente descarregada.
É preciso rir para mostrar pro medo que tudo tem um jeito e que
nada realmente tem jeito, que a gente tem que aceitar e se aceitar, que boa
parte do que tememos é engraçado demais, pura bobagem, resultado da falta
de rir da própria cara.
É preciso olhar para o monstro e achá-lo desengonçado,
meio tosco em sua tentativa de assustar as crianças e as pessoas mais sensíveis.
É preciso ver o quão desproporcional é a sombra do monstrão perto da realidade de monstrinho.
Eu tenho medo.
Eu me tremo de medo.
Eu me dobro de medo.
Eu acho graça.
Eu me tremo de dar risada.
Eu me dobro de dar risada do exagero do meu medo.
Eu aceito o meu medo.
Eu aceito o meu monstro.
Eu tenho medo, acho graça e sigo em frente.