Corpo d'água

Caiu uma gota no copo
e inundou lágrimas no rosto
ao chão, caído.


As nuvens condensaram o tormento
e desaguaram, preso
no céu, o mistério.

O corpo se contorceu seco,
dobrado como veio ao mundo,
curvado como deixou de vê-lo.

De lascas expostas
de areia e de sangue
na mão, o copo.


O ar sugado parece pouco,
o esforço parece tolo,
o ritmo do pulso parece mal súbito.


Quando a fonte seca,
de ar quente
a pele resseca,
o sangue ressente.

Sem intenção
de tensionar a fibra
ou desfibrilar o átrio,
arritmia.

O mal é cardíaco,
mal de amor a morte,
é só processo químico
viver.


Por hoje,
um banho.

Lavar com água e sal
a fronte e o ventre
do balão frágil de vidro.

Equilibrar o ph do contido,
água de gente.

Ps. desisti de desativar essa porcaria de blog, porque enquanto escrever quero continuar provocando mal-estar em quem se mete a ler, com poesia-tapa-na-cara e escrituras veridicamente pseudoconfessionais, além de não manter nenhum tipo de ritmo entre as publicações e mudar de estilo o tempo todo.