As paredes


De oito a oitenta,
o infinito da ampulheta dança o tempo
descendo pelo orifício.

Enquanto isso,
o triângulo invertido
extroverte o rubro verso
criado no pequeno vértice.

Abertos e ativos, 
os olhos da pêra abalonada
espiam o quarto escuro
das decisões que traçam a jornada.

E, de tanto tatear mistério
entre paredes de sangue, orgasmos e crias,
compreende-se que a vida é um corrimento contínuo.