Eu passeava pelas ruas de Curitiba até que encontrei uma loja só de bonecas. Ao entrar e perguntar por Vasalisa, a mulher disse: -eu estava esperando por você; ela sorriu e me entregou uma bela sacola bordada com a estampa de uma boneca. Ao sair pela rua encontrei na calçada um belo chapéu antigo, rendado, suavemente cor-de-rosa. E segui, tranquila, caminhando em ruas estranhas como quem dedilha um livro já conhecido. Coincidentemente, nessa semana as bonecas me rondaram, aparecendo em filmes, em imagens, e até mesmo está a acontecer um curso sobre o conto de Vasalisa. A matemática da vida não tem mesmo beleza? Isso fez com que eu me perguntasse, o que significa esse resgate da boneca perdida, seria um vislumbre onírico da possibilidade de realmente ser mais instintiva, menos "mental", menos neurótica? Bom, leveza - era o que me dizia a imagem de Vasalisa. Vai ver a paz que tanto busco, aos meus tropeços típicos, seja um tipo de confiança bastante feminina, uma certeza que prossegue sem muito alvoroço, uma firmeza que caiba no corpo pequeno e mágico de uma boneca redondinha. Vem comigo, Vasalisa! Te dou minha amizade para que você nunca fique sozinha e para que eu aprenda com teu jeito serelepe de ser confiante.