Manhã de outono

O sol brilhou na casa oito e disse, é tempo de eliminar o que já não tem serventia. Recicle, transforme o sem uso em nova matéria-prima. O ano da balança não é livre de furacões porque equilíbrio só se alcança quando as forças são testadas. E o que era muito pesado rolou escada abaixo enquanto eu escutava aquela mulher-artista perfomatizando minha própria vida. Há quantos anos eu lido com essa mestra, sombria vilã e indigesta, que tranca meus pulmões e cacareja, és fraca, és fraca. Ela, a ansiedade, antiga conhecida. Pensei, que deixe morrer, que deixe transformar, ela que vá em boa hora pois dessa vez sou eu quem fico. Até que fiquei. E ri, mas ri tanto que não morri. E não fraquejei. Tchau, tchau, senhora antiga e seca, vá você adubar o solo que eu sou fruto doce cedo acolhido.