O cavalo dos sentidos


Eu me canso do feriado, eu me canso do compromisso.
Eu me canso do natal, bodas de prata, corpus christi, primeiro de maio, carnaval.
Do jornal da noite, da agenda do dia, conversa de almoço, discagem direta local.

Só descambo quando a luz acaba, só descanso quando o mundo acabar. Nunca, se fim é uma palavra que sempre começou.

Se todo mundo fechasse os olhos, se todo mundo desligasse a voz, se eu pudesse viver no deserto, me vestir de terra e girar veloz...

Daria a volta nas costas do vestígio e, nem que doesse, apagaria do traço a semiologia, só pra calar a sinapse e dormir a parte inteira.

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