Então é Natal.
Crise na certa porque é quando olho pra cruz - encruzilhadas se vejo o peso. Opções, se tomo com leveza.
Não vou negar: a tendência é seguir o histórico familiar: dramática. Que pesado, diria em espanhol de chumbo uma senhorinha sábia vestindo cetim.
Carreira profissional. Estudo. Relacionamento. Maternidade. Viagens sonhadas. (essas coisas possibilitam "e" ou só vale pra "ou"?) É a primeira pergunta.
Segunda: Onde focar, por que focar.
O que leva a: Sou "eu" que quero o que digo querer? Ou é a voz dos "outros"? Ou é a minha voz me defendendo dos "outros"? Que "minha voz" é essa que fala?
Bons questionamentos, apesar de aterradores, se avaliar o tempo de piloto automático. Uma hora eu iria surtar mesmo. Que seja agora. Que seja com tudo a que um surto tem direito. Mas não é. Meus surtos são de uma delicadeza irritante.
2010 foi a vez de hibernar pra muita coisa. Céus, como eu estava precisando disso!
Vou contar uma coisa: eu fui a princesinha esperando o príncipe do pensamento mágico montado em cavalo alado. Talvez ainda seja. A crise tem a ver com essa transformação de aceitar a verdade da potência individual, que depende do esforço realizador, persistente e solitário.
Parece pouco para uma mulher do século XXI? Era pra ser, como pode não ser? Ao menos não o é pra mim. Olho ao redor e constato um mar de donzelas congeladas em pose de vitória.
É muita gente falando demais. Filmes, internet, conversas. Eu acredito em tudo e duvido de tudo. Me perco ali em algum lugar onde não se dão pela minha verdadeira falta. A falta de convicção em qualquer coisa é o que de mais constante tenho a me oferecer.
O que fazer com tantos desejos contraditórios, que demandam tempo, dinheiro, investimentos pessoais?
Eu quero ter carreira. Uma de verdade, dessas de dar orgulho e prêmio nobel.
Eu quero viajar, loucamente, o mundo todo, fazê-lo caber na minha palma e entender sua redondeza.
Eu quero a maternidade, por alguma razão arquetípica, desconhecida e que me intriga.
Eu quero doutorado, pós-doutorado, pós-tudo, escrever em pedra minha verdade.
Aí tudo parece tão vão, distante, insignificante. E claro que é. Tudo e nada se escrevem com mesma palavra.
Pergunto de joelhos: da massa de vontades aparentemente homogêneas, por deus, o que me faz arder de desejo, o que faz saltar meu coração? Ou será que a pergunta seria, o que me faz sentir realizada, suficientemente feliz, levemente segura?
Quais dessas vozes são as minhas?
Lá fora, madrugada - uns sapos, outros pássaros. Aqui, madrugada de natal esperando o papai noel pacificador dos corações apertados.
Que em 2011 eu possa estar com os ouvidos mais aguçados do que nunca.
Que o fogo volte afiado e determinado. Porém, maleável, bailando em sua potência.
Assim seja.