Crise de identidade política ou Nova canção determinista


Não gosto dos brasileiros,
o Brasil seria perfeito, se inabitado;
os temas nacionais são tautológicos: belezas naturais, malandragem, carnaval, futebol.
Sinto ojeriza.

O culto à pobreza é plataforma política,
a segregação racial é estimulada sob o título de justiça social,
há uma igreja evangélica por quilômetro quadrado.
Sinto náuseas.

O presidente faz o tipo bonzinho.
fiquei três meses sem professor de matemática no colégio estadual,
as pessoas jogam lixo pela janela do carro.
Espumo de raiva.

Digo que o Brasil é medievo,
me nego a tecer qualquer apologia nacionalista,
faço tentativas de exílio
e então percebo, com alívio:
A brasilidade não existe!