Problema crônico

Como escrever se para isso preciso de tempo? Não aquele minuto e meio no ponto de ônibus, nem os dez ou quinze minutos da trajetória rumo ao ponto final, contados em ordem decrecente, respiração ofegante, prodecimentos memorizados, viagem interrompida. Mas sim aquela SOBRA GOSTOSA DE TEMPO, com começo, meio e fim fluídos, limites apagados, cabeça na janela olhando nuvens lentas. O pensamento no meio da digestão perfeita, pensa, guarda, repensa, exclui, retoma, esquece, relembra.

Eu pensei alguma coisa hoje, mas não sei o que era, algo sobre ovos na praia repletos de mim. Vago, longe. Objetivos, dinheiro, casa, carro, avião, é o que leio subliminado na agenda reorganizada, contas feitas, metas traçadas. E dos ovos enterrados na areia mole? Nem sei, talvez tenham virado gastrite. É como se vingam a comida mal mastigada e as palavras não ditas. Se sobrar tempo, escreverei.