Breve Visita

E a saudade que paira
É de algo tão leve
Que quase não é percebido
Como um cheiro que passa,
Como uma claridade discreta,
Ou um raio de sol quase no anoitecer.

A saudade que paira
É a de um silêncio
– Não dos tristes –
Mas daqueles que dizem
Todas as palavras,
Aqueles que inspiram um sorriso,
Ou uma canção.

Eu sei que essa saudade é passageira,
Breve visita que se vai
Quando não se dá a atenção necessária,
E logo volto à realidade sem poesia
Às preocupações vagas sem saudade.

Mas, também sei que, quando ela voltar
Será o meu momento de sonho
– A percepção do que me envolve –
Avistarei paisagens nunca encontradas
E, enquanto durar,
Contemplarei os segredos revelados.