Era uma vez um montinho de areia chamado Poesia. O que havia de mais incrível nele é que, onde eu estivesse, Poesia também estava junto. Isso não era só comigo. A minha amiga Cecília disse que também acontecia com ela. Achei impressionante o que ela contou: durante uma viagem pro Marrocos, quando olhou pro lado, lá estava Poesia, em cima de um camelo!
Ouvi muitos outros depoimentos semelhantes, dando conta dos momentos em que Poesia surgia, assim, do nada. O seu Zé que o diga! Pra quem não sabe ele é o pedreiro que fez o muro da minha casa aqui no Monte Verde. O seu Zé gostava muito do Poesia, tanto que a gente sabia de longe se o Poesia tava junto, porque seu Zé ficava cantando bonito.
Foi ele quem me deu a notícia terrível. Justo o seu Zé, que dizia que tudo o que ele tinha na vida era Poesia, contou o fato, se engasgando nas palavras: os empreiteiros da construção nova não perceberam que Poesia estava por lá e misturaram ele com cal. Na tarde de ontem, Poesia virou cimento.